O chefe da antiga 2.ª Equipa de Intervenção Rápida (EIR) da PSP de Coimbra, desmantelada em fevereiro de 2024, vai deixar o serviço operacional e passar a exercer funções administrativas na Esquadra de Trânsito, encerrando uma carreira de mais de 27 anos na linha da frente.
O anúncio foi feito pelo próprio nas redes sociais, num longo desabafo onde revela a forma como recebeu a notícia e não esconde a mágoa pela decisão.
“Na sexta-feira, pelas 23h55, ao fim de dois turnos seguidos de oito horas cada, por motivos mais que conhecidos, terminei uma carreira de mais de 27 anos operacional. O Sistema não perdoa!”, escreveu.
O polícia explica que a comunicação surgiu durante uma das ocorrências mais marcantes da sua carreira.
“Quando estava a fazer um dos trabalhos mais duros que a minha profissão pode ter, cumprir um mandado e retirar quatro filhos menores ao pai, quando estava a falar com o progenitor, recebo uma mensagem para ver a ordem de serviço”, relata.
Apesar do momento delicado, garante que decidiu terminar primeiro a missão.
“Cumpri a minha missão, tentando que fosse o menos dolorosa possível tanto para o pai, menores, como elementos policiais e fui finalmente ver o que se passava.”
Foi então que percebeu que tinha sido colocado na secção administrativa.
“Público e mando cumprir… passei a fazer parte da secção administrativa da Esquadra do Trânsito, assim, directo, ou seja… secretaria, sem qualquer palavra, que é para doer mais!!!”
Mesmo mostrando desilusão, assegura que continuará a desempenhar as novas funções com o mesmo profissionalismo.
“Uma nova missão, que irei desempenhar tão bem como sempre cumpri todas as missões que me foram atribuídas, pois tenho ao meu lado pessoas que me amam e me apoiam e me dão força.”
A publicação termina com uma frase que rapidamente começou a ser partilhada nas redes sociais.
“Menos um operacional nas ruas… como alguém me disse na despedida: ‘Chefe, mataram mais um POLÍCIA’.”